sábado, 4 de dezembro de 2010

Disse que me disse: A cada 10 horas uma casa é destruída para dar lugar a um prédio em São Paulo


O cenário representa um fenômeno crescente nas grandes metrópoles – o boom do mercado imobiliário que cresce quase 80% ao ano e abre espaço a força para seus grandes empreendimentos.
Nos últimos três anos a cidade de São Paulo perdeu exatamente 2.692 casas. As construções, muitas delas antigas e carregadas de história, deram lugar a grandes prédios, espigões e condomínios residenciais e comerciais.
Os dados são de um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo e publicado em 24 de outubro. Eles revelam ainda que 2,5 imóveis são demolidos, em média, a cada dia na maior cidade do Brasil. Em seu lugar, 600 prédios novos surgem todos os anos.Com uma conta simples é possível revelar uma estatística espantosa: uma casa foi destruída a cada 10 horas para ser substituída por grandes empreendimentos imobiliários. Os locais que mais sofreram com o boom foram bairros nobres, carentes de espaços livres para novas construções.
Exemplos desse cenário não faltam, principalmente em bairros que até a década passada eram predominantemente ocupados por casas - como Vila Mariana, Ipiranga e Vila Olímpia, na zona sul; Pinheiros e Pompeia, na zona oeste; Tucuruvi, na zona norte; e Mooca e Vila Prudente, na zona leste. Para as empresas especializadas em demolições, trata-se de um mercado exemplar, que cresce quase 80% ao ano. Mas para urbanistas, a transformação faz os endereços perderem um pedaço importante da própria memória.
Impactos
Segundo o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, Pedro Paulo Palazzo, o aumento descontrolado da densidade de um bairro pode agravar problemas como engarrafamentos, disponibilidade de água e saneamento básico.
Para evitar esses problemas, Palazzo defende que os responsáveis pelas obras considerem seriamente a estrutura disponível na região antes de iniciar as obras. “Às vezes uma rua foi projetada para algumas casinhas e agora tem 500 apartamentos. E os custos disso não serão pagos pelo empreendedor, e sim por contribuintes que nunca irão morar naquele empreendimento”, alerta.
Densidade equilibrada
Ainda assim, há quem defenda a substituição das casas pelas moradias verticais. É o caso do engenheiro civil Dilnei Bittencourt. Para ele, a solução para o problema das habitações nas cidades passa fatalmente pela construção de prédios.A solução, segundo ele, está no equilíbrio da densidade populacional em cada região. “A superdensidade passa do ponto e causa problemas, enquanto que a baixa densidade também não é sustentável, já que os serviços públicos daquela região se tornam muito caros ou de péssima qualidade. O ideal é o meio do caminho”, diz.
Apesar de depender de uma série de fatores, Bittencourt informa que a densidade ideal deve variar entre 500 e 800 habitantes por hectare.

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