terça-feira, 30 de novembro de 2010

Disse que me disse: Jardim Shinjuku

Os sistemas democráticos de hoje, respeitando a propriedade privada e do desenvolvimento, são literalmente incapazes de criar mais espaços verdes dentro limites internos de uma cidade, devido à propriedade da terra e dos altos custos.

Dessa forma, com tanto espaço dedicado ao império de concreto no espaço urbano de Tóquio e espaços verdes poucos e distantes entre si, o projeto do estúdio Cheungvogl criou um projeto para uma “lacuna verde”. O jardim Shinjuku representa um bem social, cultural, ambiental e uma contribuição urbana, à medida que é um esforço consciente para aproveitar ao máximo o espaço aberto disponíveis, empurrando as fronteiras em busca de acrescentar a muito necessária paisagem natural na infra-estrutura da cidade.
 Apreciando o valor econômico da terra, o parque de estacionamento adota a grade de layout mais eficiente de estacionamento. Substituindo rampas de carro convencionais por elevadores, o que irá maximizar os espaços de estacionamento e a segurança; e minimizar o congestionamento do tráfego e o tempo de espera.
A estrutura do novo estacionamento é altamente racional, possui 54m de altura x 33m de comprimento e, mesmo oferecendo 83 novas vagas ocupa 22% menos espaço do que o antigo layout existente, assim o projeto dedica mais espaços verdes públicos de qualidade e de luz e permite que o ar penetre mais profundamente no denso ambiente urbano. Rampas externas foram inseridas para garantir o acesso público ao jardim do parque e à galeria acima do solo.


A ideia do “Jardim Shinjuku” é criar um espaço natural que preencha a fachada de um estacionamento de dois andares. Visualmente, a arquitetura enriquece a comunidade com camadas de verde translúcida. Funcionalmente, o "revestimento macio" utiliza a grama para absorver o CO2 produzido nas emissões de escape, atuando como filtro de ar, quase rarefeito para a população de Tóquio. O andar superior, espaço destinado ao terraço foi planejado para ser uma espécie de jardim público. Assim quem estiver do lado de fora do empreendimento, verá o estacionamento coberto por grama natural, dando um descanso visual para tanto cinza.

Os dois níveis do parque-estacionamento podem ser utilizados também para promover as artes e a cultura, pois oferece espaços para exposições de arte, onde varios artistas são convidados a expor suas obras.
Assim, pode-se dizer que o jardim Shinjuku é uma alternativa economicamente viável e funcional, pois a mesmo tempo que ele age ambientalmente, limpando o ar; urbanisticamente, quebrando o excesso de concreto na paisagem de Tóquio  ele possui também uma função cultural, ao tornar a arte mais acessível ao público.
Referências:

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Disse que me disse: “Edificio anel”

         
            O “Edificio anel” como pode ser chamado é um projeto criado pela equipe de arquitetos italianos da empresa Paolo Cucchi Architects para participar de uma competição para a construção de um novo prédio na cidade de Taichung, em Taiwan.

            Um dos requisitos do concurso era que o projeto estivesse, de alguma forma, interligado à história do país. Dessa forma a proposta criada pelos arquitetos da Paolo Cucchi Architects traz um formato de anel, que alude ao sol, forma encontrada na bandeira taiwanesa e que é símbolo essencial da vida. Um segundo simbolismo está, sobretudo na unidade e a fidelidade do povo de Taiwan com sua terra, que se transformou em um milagre econômico do novo milênio.


A forma oval, de 400m de altura, apresenta uma abertura vertical através da qual os fortes ventos do local serão canalizados.  E é nesse ponto que os arquitetos mostram que a defesa da vida não se restringe ao simbolismo. O edifício contará com recursos ecológicos: o vento poderá ser captado e convertido em energia, bem como a água pluvial poderá ser aproveitada.


A fachada conceituada como uma malha de alumínio ao assumir graus de opacidade, transparência, perfuração e permeabilidade cria um processo osmótico entre o exterior e interior garantindo continuidade visual, iluminação solar e ventilação natural.


Estruturalmente, a escolha de um anel como forma tornou possível a realização de um projeto com uma proporção entre vertical e horizontal de 20. O fato das duas verticais ao longo do arco, se fundirem no topo da torre, cria uma unidade estrutural que oferece uma maior resistência lateral para melhor suportar o tufão e as forças sísmicas para o qual a torre de Taiwan foi projetado.
Por fim, com o objetivo de reduzir congestionamentos, o acesso de veículos da torre que é ocupada basicamente por escritórios (maior parte) e um museu foi dividido em dois caminhos e para se ter uma circulação eficiente foram fornecidos os pontos de entrada separada para os funcionários e visitantes. A máxima flexibilidade foi colocada em prática no interior: o itinerário do museu e os escritórios estão localizados e divididos em diferentes níveis, e um núcleo central de elevadores leva e traz as pessoas para o nível de transferência que é organizado como uma “sala de espera agradável”, onde é possível beber um café, comer alguma coisa ou apreciar a vista.

Referências:

sábado, 6 de novembro de 2010

Disse que me disse: Villa Savoye e os cinco pontos da arquitetura moderna

A Villa Savoye, obra do arquiteto Le Corbusier construída entre 1928-29 em Poissy, na região de Paris, é uma moderna casa de campo francesa idealizada para ser uma residência de fim de semana para um casal com um filho, residente em Paris.   

Vista da Villa Savoye, de Le Corbusier

A casa é considerada uma das contribuições mais importantes para a arquitetura moderna do século XX. Além de celebrar a era das máquinas e exemplificar a afirmação de Le Corbusier de que “A casa é uma máquina de viver”, a construção representa um momento de síntese na obra arquiteto. Foi na Villa Savoye, que o arquiteto teve pela primeira vez a possibilidade de concretizar integralmente as suas proposições apresentadas nos cincos pontos para uma arquitetura moderna, em 1927.
Assim a residência é uma síntese de seu trabalho anterior, reunindo soluções criadas para vários de seus projetos passados.

Villa Savoye
Le Corbusier se apropria de um repertório tecnológico, que envolve soluções tecnológicas recém surgidas como o concreto armado e a impermeabilização das coberturas, e o repropõe como um novo repertorio arquitetônico, potencializando suas utilizações diversas na Villa Savoye através dos seguintes pontos:


Ao permitir a liberação do edifício do solo e criar a ilusão de que a casa está flutuando sobre a paisagem, suportada apenas por delgados pilares, o pilotis torna público o uso deste espaço, antes ocupado, permitindo inclusive a circulação de carros.
 
Vista interna da Villa Savoye


Vista fachada inferior Villa Savoye

Na Villa Savoye a sensação de flutuação da casa se torna ainda mais acentuada pelo fato dos delgados pilares se confundirem com a linha de arvores ao fundo e pela escolha da cor verde para as paredes do nível inferior. A questão da circulação dos carros também é levada mais a frente e torna-se um dos aspectos mais interessantes desta casa: a fachada de vidro curvo do nível inferior foi concebida para coincidir com o raio de giro dos automóveis da época, de forma, que quando for necessário passar por debaixo do volume com o carro, isso é possível apenas com um leve giro do volante.

Vista da Villa Savoye

O terraço jardim transforma as coberturas em terraços habitáveis, em contraposição aos telhados inclinados das construções tradicionais.

Terraço jardim da Villa Savoye

Ambos os níveis, inferior e superior se baseiam na idéia de uma planta livre. A independência entre estrutura e vedações, cria a sensação de continuação e diversidade dos espaços internos, bem como mais flexibilidade na sua articulação.

Vista interna da Villa Savoye
Plantas da Villa Savoye


Vista interior da Villa Savoye

Le Corbusier incorpora uma série de rampas que vão desde o nível inferior até o andar-jardim, o que obriga o morador a reduzir a caminhada e a experimentar o movimento entres os espaços.


Rampas que dão acesso ao terraço jardim na Villa Savoye

Rampas


A fachada livre e a janela em fita ou fênetre en logueur (aberturas longilíneas que cortam toda a extensão do edifício), também conseqüências da independência entre estrutura e vedações, permitem uma iluminação mais uniforme e vistas panorâmicas do exterior e contrapõem-se às maciças alvenarias que outrora recebiam todos os esforços estruturais dos edifícios.
Os ambientes da Villa Savoye, isto é o volume superior, estão construídos com janelas corridas que se mesclam, discretamente com a fachada branca e dura, liberando a fachada de qualquer hierarquia. As janelas em fita brincam com a percepção entre o interior e o exterior, o que se faz completamente explicito quando se está no interior.
Fachada com janelas corridas na Villa Savoye 
Uma vez no interior da residência, se torna claro o jogo entre o espaço público e o privado. Geralmente, os ambientes da casa são relativamente privados. Le Corbusier deixa os cômodos ao redor de um espaço exterior considerado comunitário.
Ainda com relação aos cinco pontos criados por Le Corbusier é de fundamental importância para a compreensão desta residência citar o conceito de promenade architecturale, ou o passeio arquitetural.
A valorização do percurso como uma estratégia conceitual, a ordenar tanto interna quanto externamente pode ser evidenciada por pelo menos três forma na Villa Savoye e tal objetivo se realiza através de um conjunto de propriedades materiais, trabalhadas conscientemente no sentido de realizar a idéia de variação do percurso, obrigando a experiência do objeto arquitetônico em diferentes posições e pontos de vista e variando constantemente a relação entre o objeto e o fruidor.
Vistas da Villa Savoye
Referências Bibliográficas:

MACIEL, Carlos Alberto. Villa Savoye: arquitetura e manifesto. Arquitextos, São Paulo, 02.024, Vitruvius, mai 2002 http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/02.024/785. >acesso em 05nov2010.

http://www.plataformaarquitectura.cl/2010/11/02/ville-savoye-le-corbusier/>acesso em 05nov2010.