sábado, 6 de novembro de 2010

Disse que me disse: Villa Savoye e os cinco pontos da arquitetura moderna

A Villa Savoye, obra do arquiteto Le Corbusier construída entre 1928-29 em Poissy, na região de Paris, é uma moderna casa de campo francesa idealizada para ser uma residência de fim de semana para um casal com um filho, residente em Paris.   

Vista da Villa Savoye, de Le Corbusier

A casa é considerada uma das contribuições mais importantes para a arquitetura moderna do século XX. Além de celebrar a era das máquinas e exemplificar a afirmação de Le Corbusier de que “A casa é uma máquina de viver”, a construção representa um momento de síntese na obra arquiteto. Foi na Villa Savoye, que o arquiteto teve pela primeira vez a possibilidade de concretizar integralmente as suas proposições apresentadas nos cincos pontos para uma arquitetura moderna, em 1927.
Assim a residência é uma síntese de seu trabalho anterior, reunindo soluções criadas para vários de seus projetos passados.

Villa Savoye
Le Corbusier se apropria de um repertório tecnológico, que envolve soluções tecnológicas recém surgidas como o concreto armado e a impermeabilização das coberturas, e o repropõe como um novo repertorio arquitetônico, potencializando suas utilizações diversas na Villa Savoye através dos seguintes pontos:


Ao permitir a liberação do edifício do solo e criar a ilusão de que a casa está flutuando sobre a paisagem, suportada apenas por delgados pilares, o pilotis torna público o uso deste espaço, antes ocupado, permitindo inclusive a circulação de carros.
 
Vista interna da Villa Savoye


Vista fachada inferior Villa Savoye

Na Villa Savoye a sensação de flutuação da casa se torna ainda mais acentuada pelo fato dos delgados pilares se confundirem com a linha de arvores ao fundo e pela escolha da cor verde para as paredes do nível inferior. A questão da circulação dos carros também é levada mais a frente e torna-se um dos aspectos mais interessantes desta casa: a fachada de vidro curvo do nível inferior foi concebida para coincidir com o raio de giro dos automóveis da época, de forma, que quando for necessário passar por debaixo do volume com o carro, isso é possível apenas com um leve giro do volante.

Vista da Villa Savoye

O terraço jardim transforma as coberturas em terraços habitáveis, em contraposição aos telhados inclinados das construções tradicionais.

Terraço jardim da Villa Savoye

Ambos os níveis, inferior e superior se baseiam na idéia de uma planta livre. A independência entre estrutura e vedações, cria a sensação de continuação e diversidade dos espaços internos, bem como mais flexibilidade na sua articulação.

Vista interna da Villa Savoye
Plantas da Villa Savoye


Vista interior da Villa Savoye

Le Corbusier incorpora uma série de rampas que vão desde o nível inferior até o andar-jardim, o que obriga o morador a reduzir a caminhada e a experimentar o movimento entres os espaços.


Rampas que dão acesso ao terraço jardim na Villa Savoye

Rampas


A fachada livre e a janela em fita ou fênetre en logueur (aberturas longilíneas que cortam toda a extensão do edifício), também conseqüências da independência entre estrutura e vedações, permitem uma iluminação mais uniforme e vistas panorâmicas do exterior e contrapõem-se às maciças alvenarias que outrora recebiam todos os esforços estruturais dos edifícios.
Os ambientes da Villa Savoye, isto é o volume superior, estão construídos com janelas corridas que se mesclam, discretamente com a fachada branca e dura, liberando a fachada de qualquer hierarquia. As janelas em fita brincam com a percepção entre o interior e o exterior, o que se faz completamente explicito quando se está no interior.
Fachada com janelas corridas na Villa Savoye 
Uma vez no interior da residência, se torna claro o jogo entre o espaço público e o privado. Geralmente, os ambientes da casa são relativamente privados. Le Corbusier deixa os cômodos ao redor de um espaço exterior considerado comunitário.
Ainda com relação aos cinco pontos criados por Le Corbusier é de fundamental importância para a compreensão desta residência citar o conceito de promenade architecturale, ou o passeio arquitetural.
A valorização do percurso como uma estratégia conceitual, a ordenar tanto interna quanto externamente pode ser evidenciada por pelo menos três forma na Villa Savoye e tal objetivo se realiza através de um conjunto de propriedades materiais, trabalhadas conscientemente no sentido de realizar a idéia de variação do percurso, obrigando a experiência do objeto arquitetônico em diferentes posições e pontos de vista e variando constantemente a relação entre o objeto e o fruidor.
Vistas da Villa Savoye
Referências Bibliográficas:

MACIEL, Carlos Alberto. Villa Savoye: arquitetura e manifesto. Arquitextos, São Paulo, 02.024, Vitruvius, mai 2002 http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/02.024/785. >acesso em 05nov2010.

http://www.plataformaarquitectura.cl/2010/11/02/ville-savoye-le-corbusier/>acesso em 05nov2010.

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